terça-feira, 11 de novembro de 2014

Rússia fecha novo acordo para vender gás à China

Moscou e Pequim firmaram um acordo de fornecimento de gás do oeste da Sibéria para a China, pelo qual em algum momento mais gás poderá fluir da Rússia para seu vasto vizinho do leste do que para os tradicionais mercados europeus.
Admitindo que detalhes cruciais, como o preço, serão acertados, o negócio representará outro grande passo nos esforços do presidente russo, Vladimir Putin, para construir uma relação mais próxima com a China no setor energético, compensando assim o crescente isolamento a que a Rússia vem sendo submetida pelo Ocidente.
Prejudicada pelas sanções impostas por EUA e União Europeia, devido ao seu apoio aos separatistas russos na Ucrânia, a Rússia há muito tenta reduzir a sua dependência da Europa como cliente e diversificar seus mercados exportadores. Este mais novo acordo representa um passo importante nesse sentido.
Putin e o presidente chinês, Xi Jinping, assinaram o acordo à margem da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, uma associação regional) em Pequim, enquanto o presidente dos EUA, Barack Obama, chegava à capital chinesa para o encontro.

Pelo acordo, a Gazprom, grupo de energia controlado pelo Kremlin, fornecerá à estatal de petróleo chinesa CNPC 30 bilhões de metros cúbicos de gás por ano. Isso, além dos 38 bilhões que a Rússia concordou em vender para a China em um acordo de US$ 400 bilhões firmado em maio.
O negócio de maio envolveu gás de campos que ainda serão desenvolvidos numa região remota de tundra no leste da Sibéria. No entanto, o acordo de ontem, ao qual Moscou se refere como a rota “ocidental”, fornecerá à China gás de campos do oeste da Sibéria, que atualmente suprem a Europa.
“Levando em conta o aumento do fornecimento de gás ao longo da rota ocidental, o volume total de gás exportado para a China poderá superar o fornecimento à Europa no médio prazo”, disse Alexei Miller, presidente da Gazprom.
“O fornecimento sairá de campos do oeste da Sibéria que são a mesma base de recursos hoje usada nas exportações para a Europa”, acrescentou. “A rota ocidental está se tornando um projeto prioritário em nossa cooperação de gás.”
A Sibéria ocidental é mais ou menos equidistante da Europa e da Ásia, de modo que, assim que os dutos necessários estiverem prontos, o gás produzido ali poderá ser encaminhado para o mercado que oferecer condições mais atraentes.
No entanto, autoridades russas e chinesas vêm discutindo a rota ocidental há anos, e especialistas disseram que o modelo acertado ontem é apenas o mais recente estágio de uma longa negociação que poderá não resultar em um acordo comercial.
Além disso, a Europa comprou da Rússia 160 bilhões de metros cúbicos de gás no ano passado, de modo que deverá continuar sendo o maior mercado comprador do gás russo nos próximos anos.
Keun-Wook Paik, pesquisador sênior do Instituto Oxford para Estudos Energéticos, disse que a Rússia está tentando anular as exportações de gás natural liquefeito dos Estados Unidos, que poderão começar a chegar ao mercado chinês no fim desta década.
“O presidente Putin está preocupado com a entrada do GNL americano no mercado asiático”, disse. “Assim, antes que ele comece a chegar à China, a Rússia precisa conquistar uma parcela do mercado chinês de gás encanado.” Para Paik, a China será “o campo de batalha para os EUA e a Rússia à medida que eles se concentram na Ásia”.
Separadamente, a CNPC também anunciou ontem que vai comprar uma participação de 10% na Vankorneft da Rússia, uma subsidária da estatal de petróleo Rosneft.
Um mapa inicial divulgado pela Gazprom para a imprensa russa, indica que o duto ocidental de gás cruzará a estreita e ambientalmente sensível fronteira com a China na província de Xinjiang, que fica no extremo oeste do país. Negociações anteriores abriram a possibilidade de uma rota mais longa, passando pelo Cazaquistão ou a Mongólia.
A rota cazaque teria permitido ao país adquirir quase um terço do gás, resolvendo as preocupações chinesas em encontrar um mercado para todo o gás contratado. No entanto, algumas pessoas no Cazaquistão se opuseram à ideia de o país se tornar dependente da energia de seu vizinho maior do norte. A Rússia já apoiou no passado a construção de dutos para a China passando pela Mongólia, mas a ideia foi vetada pela China.

Fonte: Folha de S.Paulo

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Hard Rock Café utilizará gás natural

A primeira casa do Hard Rock Café no Paraná fechou contrato com a Compagas para uso do gás natural na unidade em Curitiba. A previsão é que já na inauguração do espaço, prevista para dezembro, o combustível esteja presente nos fogões e nas lareiras.
O espaço está em construção na esquina das ruas Buenos Aires e Comendador Araújo, no bairro Batel, na capital paranaense. A casa terá três andares e dois palcos: no primeiro e no segundo pisos ficarão o bar e o restaurante e no último um espaço para eventos e pista de dança. Inicialmente, o Hard Rock Café funcionará com o cardápio que faz sucesso nos Estados Unidos e nos meses seguintes os pratos serão ajustados ao gosto curitibano.
O contrato foi fechado nessa semana pelo vendedor Edson da Silva Godinho, da Gerência de Vendas Urbano (GVU) da Compagas.

Fonte: Notícias Compagas

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Revolução energética

O Fundo Monetário Internacional (FMI) avisa que a revolução do gás de xisto vem produzindo impactos não apenas sobre a economia dos Estados Unidos, mas também sobre a do resto do mundo.
A avaliação aparece em box especial no relatório divulgado na terça-feira intitulado “Desenvolvimentos recentes, projeções e prioridades de política” e aprofunda análises já feitas por bancos e consultorias.
O primeiro desses impactos é a estabilização (ou até mesmo a queda) dos preços da energia, apesar das desordens no mercado do petróleo e gás produzidas pelas perturbações provocadas por fatores geopolíticos, como a crise da Ucrânia e a atuação dos fundamentalistas do Estado Islâmico no Oriente Médio.

A revolução do gás de xisto nos Estados Unidos derrubou a importação de combustíveis fósseis de US$ 412 bilhões em 2008 (2,8% do PIB) para US$ 225 bilhões em 2013 (1,3% do PIB). Em consequência disso, passou a sobrar carvão que hoje está sendo exportado para a Europa, fator que, por sua vez, reduziu a dependência de gás proveniente da Ucrânia.
O grande aumento da competitividade dos Estados Unidos não se limita aos setores industriais eletrointensivos. Os efeitos do choque da derrubada dos preços da energia já podem ser identificados no aumento da produtividade de toda a indústria. Diz o documento, numa tradução livre: “Em um ano e meio, a redução de 10% nos preços relativos do gás natural nos Estados Unidos foi responsável por um crescimento de 0,7% na produção industrial em relação à da área do euro”.
É claro o recado implícito para o Brasil, cuja indústria vem sofrendo desidratação crônica. Vai ficar muito difícil para o produtor brasileiro competir com o dos Estados Unidos não apenas em petroquímica e indústrias altamente dependentes do suprimento de energia elétrica, como em metais não ferrosos, química básica, cerâmica, cimento e vidro. Toda a indústria de transformação do Brasil tende a enfrentar as consequências desse aumento da competitividade do setor produtivo dos Estados Unidos.
Qual é o investidor que colocará seus milhões de dólares no Brasil, onde aumentam o custo e o risco de suprimento futuro de energia, se nos Estados Unidos pode contar com gás natural (e energia elétrica) a preços que hoje correspondem a apenas um quarto do que é pago no Brasil? 
As implicações para o futuro da indústria do País são graves. E, no entanto, o governo não se dispõe a definir uma política clara para o gás de xisto, de maneira a tirar esse atraso com a indústria dos Estados Unidos – e, também, do Canadá e do México.
Os efeitos do primeiro leilão de concessão de gás não convencional, realizado em novembro de 2013, continuam bloqueados pela Justiça Federal do Paraná, que acolheu em mandado de segurança o pedido do Ministério Público Federal de suspender as licitações, por falta de informações sobre os riscos ambientais que envolvem a técnica de fraturamento hidráulico. Ou seja, a questão do xisto no Brasil enfrenta oposição parecida com a que existia há dez anos à expansão da cultura dos transgênicos.
Há o temor de que a exploração do xisto por técnicas de injeção de água, areia e produtos químicos a alta pressão contamine os lençóis freáticos. Há realmente esse risco que, no entanto, poderá ser fortemente reduzido se alguns cuidados forem tomados. A questão de fundo é relativamente simples. O Brasil tem de escolher se quer enfrentar seriamente esses riscos e contar depois com uma energia mais limpa e mais barata ou se, na matriz energética, aumentará a participação da energia térmica, bem mais cara e bem mais poluente.

Fonte: O Estado de S.Paulo

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Copel afirma que serão gastos R$ 80 mi com estudos sobre gás de xisto

Agricultores, estudantes, ambientalistas e autoridades participaram ontem do seminário sobre exploração do gás de xisto promovido pelo Núcleo de Sindicatos Rurais do Oeste do Paraná, Sindicato Rural Patronal de Cascavel e Sistema Fiep – Federação de Agricultura do Paraná.
Foram três palestras no auditório da Acic, sobre métodos de exploração, risco de contaminação e suas vantagens. Os participantes puderam realizar perguntas aos palestrantes.
A Copel participou em novembro do ano passado do leilão para exploração e arrematou quatro lotes no Paraná. Em junho passado a Justiça Federal determinou a suspensão por tempo indeterminado da 12ª rodada de licitações, realizada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo) para a região Oeste.
O diretor de desenvolvimento de negócios da Copel, Jonel Nazareno Lurk, participou do seminário ontem e afirmou que serão necessários R$ 80 milhões para os estudos durante quatro anos, antes das possíveis explorações.
“Serão necessários estudos e pesquisas para depois ver se é possível a exploração. Nossa prioridade não é fraturamento hidráulico [fracking]. Optamos pelo método convencional. Vamos estudar, mas é importante ressaltar que o gás descentralizado é uma riqueza, além de gerar energia e beneficiar a população”, constatou.

Para o geólogo da Mineropar, Luis Tadeu Cava, ainda há dúvidas e mitos sobre a exploração e isso deve ser repassado para a população. “As pessoas ainda não têm informação suficiente sobre a captação do gás. Ainda não sabemos se é viável economicamente fazer estudos sobre os métodos. Não temos dados concretos, por isso precisamos levar informações e explicações”, ressalta.
A preocupação é válida em relação ao assunto, afirma o presidente da Compagás, Luciano Pizzatto. “Existem informações desencontradas, como ocorreu na época do surgimento do grão transgênico. Aprovo a preocupação das pessoas, mas é preciso mais detalhes, estudos e informações. Pode ser que a exploração seja extremamente benéfica”, disse.

Fonte: O Paraná

terça-feira, 15 de julho de 2014

Compagas deve bater faturamento recorde

O salto no caixa é resultado, sobretudo, do contrato de R$ 1,5 bilhão para o suprimento do combustível para a UEGA assinado em fevereiro, depois que a Copel reassumiu o controle da termelétrica de Araucária, após sete anos de arrendamento da usina para a Petrobras. Conforme o presidente da Compagas, Luciano Pizzatto, foram três anos de negociação e convencimento da Copel sobre a necessidade de voltar a operar a UEGA. A retomada ocorreu justamente no momento em que o setor elétrico passou a depender seriamente das térmicas para atender a demanda.
O faturamento recorde da companhia deve impactar positivamente os investimentos a partir de 2015. Mas a continuidade desse ciclo depende da busca de alternativas para o suprimento de gás no estado, prioridade máxima da companhia, que enfrenta a limitação da oferta causada pela saturação do gasoduto Bolívia-Brasil, explica Pizzatto.
Investimentos
Com mais dinheiro para investir, dois projetos devem ganhar atenção especial a partir do próximo ano. Um deles prevê a construção de novos ramais ligando Curitiba aos novos campos de gás convencional na região Centro-Sul do estado, na cidade de Pitanga, onde um consórcio formado pela Copel e mais três empresas venceu o leilão da ANP para exploração do combustível. “Esse investimento deve levar de três a cinco anos, o mesmo prazo para a maturação dos campos de gás. Trata-se de um investimento fundamental. A expectativa é que a exploração comece já em 2015“, afirma Pizzatto.

O outro é o projeto de construção de um gasoduto que liga o Porto de Paranaguá a Araucária, na região metropolitana, que a companhia tenta tirar do papel desde 2012. Com exceção da Copel, que é sócia majoritária da Compagas, a construção do terminal de importação de gás natural liquefeito (GNL) e do gasoduto sempre enfrentou resistência dos outros sócios da companhia – Petrobras e Mitsui.
Segundo Pizzatto, as duas empresas anunciaram recentemente o estudo de um projeto para a implantação de um terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) no Rio Grande do Sul. ”Diante disso, não há argumentos que sustem as negativas das empresas em viabilizar um investimento semelhante no Paraná”, afirma.

Fonte: Gazeta do Povo – Curitiba/PR

terça-feira, 24 de junho de 2014

Nova York a todo o gás natural

As nossas cidades enfrentam desafios energéticos complicados… O de Nova York inclui uma batalha contra a fuligem e contra a poluição. Está em andamento um plano a 20 anos para substituir o combustível poluente usado no aquecimento por alternativas mais limpas, como o gás natural.
Seamus Kearney, euronews: “As autoridades sanitárias estimam que podem ser salvas 800 vidas todos os anos com uma melhoria da qualidade do ar. Também esperam evitar centenas de hospitalizações devido à asma e outros problemas respiratórios e cardiovasculares.”
Durante décadas 10 mil edifícios usaram o combustível mais poluente para o aquecimento. Algo que provocou mais poluição do que todos os automóveis de Nova Iorque. Mas uma nova lei em 2011 atingiu esses combustíveis poluentes conhecidos como número 6 e número 4. O prazo final para mudar para alternativas mais limpas é 2030, incluindo o gás natural ou combustíveis mais ecológicos.
Um dos maiores proprietários de imóveis da cidade, a Universidade de Columbia, vai converter mais de 80 edifícios residenciais ao gás natural até o final deste ano.

Frank Martino Vice-Presidente de Operações desta Universidade diz que: “Columbia e a cidade de Nova York sempre foram sinónimos; sempre fizemos parte do tecido de Nova Iorque e líderes a muitos níveis, não apenas no ensino superior, sempre foi algo muito importante para nós.”
A universidade diz que o gás era apenas uma das opções, que legalmente podia ter optado por outra alternativa, mas que foi tomada a decisão certa: Não é só do ponto de vista ambiental – porque é um combustível muito mais ecológico e reduz bastante as nossas emissões, mas porque também reduz a manutenção do equipamento e o desgaste geral do próprio edifício”, acrescenta Frank Martino.
A cidade, diz que os resultados globais foram dramáticos. No ano passado, a poluição do ar de Nova Iorque caiu para o nível mais baixo dos últimos 50 anos. Alguns especialistas dizem que o gás natural é a alternativa óbvia, porque é mais limpo, acessível e abundante. Mas a questão é se será confiável em todas as circunstâncias.
Segundo Barry Stevens, especialista em energias: “Significa que se obtém energia da fonte energética sempre que se quer, não só quando o vento sopra ou quando o sol brilha, existe sempre. E este é um problema de algumas energias renováveis​​”.
Apesar de debate sobre o fornecimento de gás natural, a sua utilização está em ascensão e deve continuar a crescer. Nova Iorque também está a considerar instalar o gás natural liquefeito em camiões e no aquecimento. A cidade já tem uma grande frota de autocarros e híbridos a gás natural.
Fatos importantes sobre a campanha de Aquecimento Ecológico, em Nova Iorque:
◦O alvo são os combustíveis mais poluentes Número 6 e Número 4
◦Cerca de 10 mil edifícios de Nova Iorque usavam esses combustíveis em 2011
◦Em julho de 2015, o combustível número 6 vais er banido e o Número 4 proibido em 2030
◦As alternativas incluem o gás natural, biodiesel e combustível com um teor de enxofre ultra-baixo
◦Todas as novas caldeiras/aquecimentos devem utilizar um dos combustíveis mais ecológicos

Fonte: euronews

segunda-feira, 23 de junho de 2014

A nova oportunidade onshore no Brasil

A indústria de petróleo e gás do Brasil tem grandes oportunidades onshore com os novos blocos convencionais e não convencionais que chegaram ao mercado em 2013. Mas para tirar o máximo dessas novas reservas, os operadores precisarão de novas capacidades e habilidades para operar de forma eficiente.
Se a construção de um poço em águas profundas é como construir um arranha-céu, no qual as habilidades de planejamento detalhado e excelente gerenciamento de projetos são valorizados, então podemos pensar que a construção de poços onshore é parecida com o desenvolvimento de uma área de casas, onde a eficiência e um modelo replicável são essenciais para o sucesso. Ambos são projetos desafiadores que requerem um conjunto especializado de habilidades e excelência operacional, a fim de realizar toda a execução com sucesso. Mas saber como construir um não lhe prepara para enfrentar os desafios do outro, pois novos recursos devem ser aplicados para ser bem sucedido.
Os executivos da indústria de petróleo e gás do Brasil estão agora lutando contra esse desafio. Eles passaram décadas acumulando experiência em perfuração em águas profundas e produção. Porém, para prosperar nas recentes oportunidades em terra do País, eles terão que implementar um novo conjunto de capacidades para sites convencionais enão convencionais. Até recentemente, a história do petróleo e gás no Brasil foi, em grande parte, relacionada com a atividade offshore e as grandes descobertas na camada pré-sal, e os volumes no exterior têm ofuscado os “em terra”. Além disso, neste ano, a 11- rodada de licitação de blocos de hidrocarbonetos deu nova energia ao mercado onshore.

No Brasil, pode ser que demore cerca de 10 anos para o gás de xisto se tornar economicamente viável, dada a falta de exploração, poços e dados de campo em mais de 90% da região, a falta de regulamentação sobre o gás de xisto e, mais importante, a insuficiência de infraestrutura de transportes para conectar os campos ao mercado.
Mas o sucesso onshore poderia ser um divisor de águas para o Brasil. A produção de gás do país por dia poderia saltar de 70 milhões de metros cúbicos para potencialmente mais de 130 milhões de metros cúbicos em 2020. Ao todo, a história do onshore está prestes a mudar radicalmente a indústria de petróleo e gás no Brasil, mas vai desafiar os recursos locais e habilidades, especialmente em campos não convencionais.
Então, o que deve estar na mente dos operadores quando olham para essa oportunidade?
Os reservatórios terrestres são mais fáceis de alcançar, entretanto eles apresentam um conjunto diferente de desafios. A eficiência é um dos maiores deles. Usar o capital de forma eficiente e mantendo os custos operacionais sob controle não só leva a resultados financeiros saudáveis, mas também faz com que os novos projetos sejam viáveis, permitindo assim que as empresas explorem as reservas mais recentes.
Outro grande desafio é conseguir explorar ainda mais os campos maduros, com o mínimo de despesa. Em média, mesmo depois de 20 anos de produção, mais de um terço de hidrocarbonetos recuperáveis podem permanecer num campo. Mesmo um pequeno aumento na eficiência de recuperação pode estender a produção mais dois ou três anos nesses poços, e a rentabilidade adicional pode ajudar a alimentar novos investimentos. Aqui, novamente, muitos operadores se concentram na tecnologia, ainda que para capturar o máximo possível uma abordagem abrangente seja necessária.
Mudar táticas para ter sucesso no ambiente não convencional pode não ser fácil para as organizações que construíram seu sucesso em um ambiente de águas profundas com requisitos de engenharia avançados. Para ter sucesso nessa arena, elas terão de aprender a mover-se em um ritmo diferente e sob uma concepção de lucro diferente. Assim como o contraste entre a construção de um arranha-céu e de uma área de casas, os campos não convencionais terrestres requerem um processo em que velocidade, eficiência, padronização e repetição são as chaves para o sucesso.
Tudo isso sugere enormes oportunidades para as empresas que podem trazer à vida todo o potencial das reservas de gás terrestres, convencionais e não convencionais. Aquelas que se concentram em superar os desafios enfrentados pelos operadores e suas cadeias cie abastecimento terão uma maior chance de ganhar neste novo cenário.

Fonte: Brasil Econômico