segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Nova fonte de gás no Paraná

Um dos principais projetos da Compagas para 2017 é analisar, por quatro meses, a viabilidade da produção de biogás e biometano com agricultores do interior
O biogás pode ser a nova alternativa da Compagas para desenvolver o mercado de gás natural no interior do estado paranaense. A distribuidora montou um projeto com a Castrolanda, empresa do segmento agropecuário, para estudar a viabilidade técnica e econômica da produção de biogás e biometano na região de Castro, no Paraná.
Aliás, a Compagas tem grandes planos para 2017, quando pretende investir R$ 25 milhões para chegar ao fim do ano com uma rede de distribuição de gás natural de 815 km no Paraná. Outra meta da concessionária é ampliar sua carteira de clientes em 10%, além de dar início a novos projetos de pesquisa e desenvolvimento, como o de biogás com a Castrolanda.

A pedido da Brasil Energia, a Compagas compartilhou os detalhes desse projeto. O termo de cooperação assinado pelas duas empresas foi estruturado em cinco etapas. Na primeira, serão colhidas informações socioeconômicas da região pecuarista onde o empreendimento viria a ser executado. Em seguida, uma equipe designada pelas empresas vai apresentar as normas e os regulamentos técnicos pertinentes ao projeto.
A terceira é a fase de dimensionamento das alternativas disponíveis para o aproveitamento de biogás e biometano e, claro, o orçamento de cada uma delas. Depois, a ideia é que a equipe comece a delinear as soluções viáveis para o projeto de acordo com o modelo de negócios da Compagas e da Castrolanda e, por fim, as empresas vão analisar os resultados do estudo para que possam decidir se o investimento trará o retorno esperado.
Prazo definido
Todas as etapas do estudo serão realizadas nos próximos quatro meses, de acordo com a distribuidora paranaense, controlada pela Copel. “A Compagas tem muito interesse em desenvolver essa fonte energética no Paraná. [O biogás] permite a interiorização e o desenvolvimento do mercado de gás natural, além de servir como instrumento de sustentabilidade para a cadeia do agronegócio e de gerenciamento de resíduos sólidos”, de acordo com a concessionária de gás natural.
Atualmente, 849 produtores agropecuários de Castro são associados à Castrolanda. Os subprodutos dessas atividades, resíduos de origem vegetal e animal, são reaproveitados por biodigestores na produção de biometano, produto de composição praticamente idêntica à do gás natural. Além de aumentar a oferta de um energético de alto poder calorífico, há também benefícios para o meio ambiente, já que alguns subprodutos, como esterco e estrume, emitem grande quantidade de gases de efeito estufa para a atmosfera, como o gás metano (CH4).
Outras frentes para biogás
A concessionária coordena outro projeto de análise de viabilidade técnica relacionada a biogás e biometano, fruto de uma parceria com o Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás).
O foco desse estudo são as pequenas e médias propriedades rurais, cooperativas, granjas e também empresas instaladas na região oeste do Paraná, que, juntas, podem aumentar significativamente o volume de biogás produzido no estado.

Fonte: Brasil Energia Online

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O gás do Paraná

O Paraná abdica de seu potencial em gás natural, proibindo a si próprio o aproveitamento de um recurso estratégico para seu desenvolvimento. Não é por não necessitar dele, pois a indústria é carente desta fonte de energia, limitada pela saturação do Gasbol. Nem é por não dispor dele, pois dois poços prontos para produzir quase metade do gás atualmente consumido estão à espera de novas descobertas. As possibilidades oferecidas pela natureza geológica do oeste do Paraná, em profundidades da ordem de 4 mil metros, são há muito conhecidas e já previstas e anunciadas aqui na Gazeta do Povo em 1983. Nem é por restrições ambientais, pois elas não são maiores que as de postos de gasolina, hidrelétricas ou usinas alcooleiras.
As restrições tecnológicas existentes, devidas à baixa permeabilidade das rochas hospedeiras, foram superadas com o fraturamento hidráulico – o fracking – em poços horizontais há 11 anos nos Estados Unidos e hoje estima-se que 1,5 milhão de poços produtores já utilizam ou dela se utilizaram. O sucesso foi tão grande que provocou uma onda de reação dos concorrentes. Os oponentes teimaram em reinventar dificuldades para manter privilégios ou cooptar cúmplices.
Com a proibição aqui no Paraná, o movimento antifracking internacional proclama mais uma vitória. Depois de vitórias parciais em alguns países da Europa, o movimento tem a maior vitória já conquistada, justo aqui no Brasil, o país-continente com uma altíssima demanda por gás. Justo aqui no Paraná, onde, além da demanda urgente, há o privilégio seleto de hospedar volumes significativos de gás metano, sem riscos ambientais significativos.

A Assembleia Legislativa declarou proibidas as atividades de fracking para aproveitamento do gás do xisto (shale gas) no território paranaense e até mesmo para a pesquisa – uma atitude retrógrada e obscurantista. Mesmo não sabendo bem o que é fracking ou o que é shale gas, como e onde ocorre, nem mesmo querendo saber, a proibição está decidida em nome do povo do Paraná. Falaciosamente o faz em nome de legítimos anseios de proteção ambiental, de preservação da qualidade dos aquíferos e defesa dos interesses do agronegócio. Ilude a si próprio o Executivo que adotou os mesmos argumentos e a sociedade.
O Paraná abdica de um potencial energético diferenciado, independente de chuvas, de insolação e de ventos. Alem da energia, o gás é matéria prima necessária para produção de fertilizantes: o gás metano, o mais nobre combustível e insumo da indústria petroquímica. A quem interessa a proibição? Quais seriam os reais motivos de as ONGs se organizarem e custearem movimentos contra o aproveitamento do gás natural?
Mais de uma dezena de estudos exaustivos sobre os eventuais e potenciais efeitos ambientais, hídricos e sociais da indústria petrolífera do gás natural nos Estados Unidos e no Canadá, realizados por institutos e universidades oficiais e privados dos EUA, do Canadá, da Inglaterra, da Irlanda e também do Brasil, muitos resultados auditados e avaliados por pares, muitos publicados em relatórios oficiais e em revistas científicas, mostram a ausência de sustentação baseada em fatos para os tais danos proclamados pelos lideres ambientalistas e políticos que defendem a proibição do fracking. Mesmo a União Europeia, com intensa densidade de ocupação do território e sede dos mais conflitantes interesses corporativos e regionais, em especial da distribuição de gás da Sibéria, da indústria de painéis fotovoltaicos e implantação de usinas nucleares, admitiu a possibilidade de uso das tecnologias do fracking e estabeleceu regras mínimas em 2014.
Entretanto, esses movimentos ambientalistas usam fantasiosas, falsas e enganosas relações para tornar o procedimento passionalmente indesejado. Estas falsidades se propagam com facilidade, num ambiente em que se ignora o que são e como se processam as operações associadas ao fracking, pois se trata de operações que não ocorrem em superfície. Poluição de águas superficiais ou de aquíferos potáveis, provocação de terremotos, uso excessivo de água, concorrência com a ocupação e uso agrícola das terras são os principais argumentos usados. Entretanto, não têm sustentação em fatos reais, nem em estudos técnicos e científicos; trata-se apenas de associação falsa de fatos e boatos, com o objetivo de viciar a opinião das pessoas e mobilizá-las emocionalmente para interesses políticos, partidários e corporativos.
A campanha antifracking, iniciada na América do Norte, foi claramente um movimento dos produtores de carvão, urânio e de usinas nucleares, ajudados pelos produtores de usinas de energia eólica e de placas fotovoltaicas, receosas da redução de subsídios governamentais. Associaram-se ao movimento as grandes petrolíferas, em virtude da multiplicação de empresas produtoras e dos excedentes de petróleo gerado; a redução do preço do petróleo foi uma forma de bloquear o desenvolvimento da tecnologia então já extensivamente usada também para produzir óleo (tight oil).
Na Europa, a campanha foi estimulada e financiada pela Gazprom – fornecedora russa de gás para os europeus –, ajudada pelas produtoras de usinas nucleares e de energia alternativa. As ONGs ambientalistas americanas foram o principal vetor das campanhas anti-fracking mesmo na Europa, apesar do ganho ambiental com a combustão eficiente e limpa do gás em substituição à energia suja do carvão, intensivamente usada tanto na América como na Europa. Tais movimentos têm um apelo emocional forte e dispensam o uso da razão. Mesmo no Brasil, associações como a das industrias nucleares (ABDAN, defendendo a construção de quatro usinas nucleares), de pequenas centrais hidrelétricas (ABPCH), da industria alcooleira, bem como de produtores de energias alternativas, têm tido um papel importante no estímulo aos movimentos antifracking, em favor de seus interesses corporativos e ao mesmo tempo prevenindo-se de concorrentes na matriz energética e na distribuição de subsídios federais.
Tais ONGs têm feito um trabalho altamente profissional de convencimento de comunidades desinformadas utilizando-se de apelo emocional especialmente associado ao medo: medo da falta de água potável, de terremotos, de perda de suas casas, de seu território doméstico e até mesmo das mudanças climáticas. O medo é a principal e mais primitiva forma de se tomar decisões e de se cooptar. Guerras e religiões sempre se utilizaram desta emoção.
Como se poderia aceitar declarações falsas e improváveis de danos ambientais, sociais e agrícolas, sem que os fatos sejam verificados ou mesmo as hipóteses sejam confrontadas com o mundo real, com o conhecimento técnico e científico – que facilmente desconstroem a convicção ou a proposição?
Vivemos a idade do hiperabsurdo, escreveu não um velho saudosista, mas um jovem jornalista econômico neste mês. Parece que vivemos uma época da “rejeição irracional daquilo que é evidente por si mesmo”. Mentiras são o mesmo que verdades. Fato e ficção são confundidos. Retrocesso é apresentado como progresso. Guerra é paz. A ameaça ambiental ora é ciência, ora é farsa. O corrupto sucede o probo em nome da rejeição à corrupção. Dependência torna-se independência.
Pior que esta irracional rejeição, em plena vigência da sociedade do conhecimento, ao evidente por si mesmo é a aceitação apática e a disposição para se satisfazer com esta rejeição. É como “rir do tiro no próprio pé”, lembra o autor. Os vitoriosos das ONGs e da Assembleia Legislativa do Paraná estão fazendo isso.

Fonte: Gazeta do Povo / Paulo César Soares

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Exploração de óleo em campo terrestre receberá incentivos

Depois de mudar as regras do pré-sal e retomar a oferta para exploração de áreas em alto mar, o governo definiu um conjunto de iniciativas para estimular a produção de petróleo e gás natural em campos terrestres. Um programa de revitalização da indústria que atua no setor, batizado de Reate, será lançado amanhã pelo Ministério de Minas e Energia em um evento na Bahia.
A escolha do Estado para o anúncio tem um simbolismo: Candeias, município baiano nas proximidades de Salvador, abriga o primeiro poço comercial do país. Mas desde 1941, quando essa exploração teve início, as atenções da Petrobras foram se deslocando para os campos marítimos.
Hoje o Brasil tem 7,8 mil poços ativos em terra, que produzem 143 mil barris por dia de petróleo ­ 96% dos quais nas mãos da estatal. É quase nada perto da extração em outros países. Nos Estados Unidos, são 1,7 milhão de poços terrestres e produção diária em torno de 6,7 milhões de barris. A Colômbia tira quase 1 milhão de barris em terra; Argentina e Equador, cerca de 500 mil.

A nova agenda para o setor já tem uma medida concreta: royalties mais baixos para blocos explorados em “áreas de fronteira”, ou seja, ainda sem histórico de exploração e com riscos maiores.
De acordo com o secretário de Petróleo e Gás Natural do MME, Márcio Félix, a legislação permite que sejam cobrados royalties de 5% a 10% em cada bloco licitado. Tradicionalmente, no entanto, o governo tem adotado sempre a alíquota mais alta. Uma exceção ocorreu com a Rodada Zero, em 1998, quando foram ratificados os direitos da Petrobras após a quebra do monopólio no setor.
A ideia é aplicar uma alíquota de 5% ­ ou pelo menos próxima do piso ­ em “áreas de fronteira” que serão oferecidas já na 14ª rodada de licitações: blocos terrestres na Bacia do Paraná, localizados no Mato Grosso do Sul, e marítimas na Bacia de Pelotas (RS).
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve deliberar, em reunião no dia 8 de junho, sobre as áreas que receberão o incentivo. A 14ª rodada está prevista para o segundo semestre. Futuramente, esse modelo pode ser replicado para blocos nas bacias do São Francisco e do Solimões.
A agenda do Reate, entretanto, é bem mais ampla. O conjunto de iniciativas inclui uma tentativa de harmonização das regras de licenciamento ambiental, que estão a cargo de órgãos estaduais e têm muitas disparidades entre si. Campos maduros, com acumulações marginais, terão leilões anuais ­ as chamadas “rodadinhas”. Em resposta a uma crítica bastante habitual dos produtores, que se queixam do excesso de normas, a promessa do governo é fazer exigências compatíveis com o nível de complexidade da exploração terrestre.
“Hoje, quem produz dez barris por dia tem que cumprir as mesmas adequações regulatórias que a Petrobras no campo de Lula”, compara o secretário-executivo da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (Abpip), Anabal Santos Júnior.
A associação tem outras reclamações, como um desconto entre US$ 10 e US$ 20 por barril adquirido pela Petrobras dos pequenos produtores para refino, mas o ministério não quer tomar atitudes intervencionistas e pretende deixar esse assunto com o próprio mercado. Na mesma linha, o programa que será lançado amanhã promete alinhavar alternativas de financiamento, mas sem a dependência de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Félix diz que uma das intenções é estimular o uso das reservas de petróleo e gás como garantia de eventuais financiamentos liberados por bancos comerciais. As ações do Reate devem ser debatidas em consulta pública, provavelmente a partir de abril, e submetidas ao CNPE em junho.
Paralelamente, a Petrobras está se desfazendo de 95 concessões em campos terrestres, localizadas em cinco Estados ­ Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia e Espírito Santo. “O mercado está vendo essas iniciativas com bons olhos. As demandas estavam represadas havia muito tempo e temos boas expectativas”, acrescentou o secretário-executivo da Abpip.

Fonte: Valor Econômico

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Participação de energias renováveis na matriz chega a 43,2%

As energias renováveis tiveram participação de 43,2% na matriz energética brasileira em 2016, dois pontos percentuais a mais que no ano anterior. O crescimento é resultado do bom desempenho da geração hidráulica, eólica e por biomassa.
Os dados foram divulgados no Boletim Mensal de Energia – Outubro, elaborado pela Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME).

Quando considerada a oferta interna de energia brasileira – toda a energia necessária para movimentar a economia – as fontes renováveis também se destacam, elevando sua participação de 75,5% (2015) para 82,4% (2016), acumulando alta de seis pontos percentuais no ano. Na classificação por tipo de fonte, a projeção de participação é de 68,9% de hidráulicas; 8,7% de biomassa; e 4,8% de eólica.
Segundo o documento, em outubro de 2016, a produção de petróleo cresceu 9,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior, acumulando um aumento de 2,7% em dez meses. Já a produção de gás natural cresceu 11,2% em outubro e avanço de 6,2% no período acumulado.


Fonte: Portal Brasil

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Mercado de gás natural vai ser motivado a desenvolver novas habilidades

Gás para Crescer é uma iniciativa que será encorajadora para a expansão do mercado, avalia Hiroki Toko, CEO da Mitsui
Dona de 49% da fatia da Gaspetro, subsidiária da Petrobras para a área de distribuição de gás natural, a Mitsui avalia que o segmento vai ser motivado a desenvolver novas habilidades, diante do fato de que o setor está passando por um momento de abertura iniciado com o processo de venda de ativos da Petrobras.
A Mitsui Gás e Energia atua como holding operacional desde 2006, consolidando as participações que já possuía em algumas distribuidoras de gás. Com a aquisição, a companhia passa a deter participação acionária direta ou indireta em 19 distribuidoras – a operação foi a primeira do plano de venda de ativos da Petrobras.
O Brasil, onde atua há 70 anos, é considerado pela japonesa um dos países mais importantes do ponto de vista estratégico. Em março deste ano, a Mitsui somou aproximadamente US$ 8 bilhões em investimentos no mercado brasileiro em diversas áreas além do gás natural, como energia, agricultura e transportes.
No setor energético, além das distribuidoras de gás, a Mitsui detém participação na hidrelétrica de Jirau, que recentemente teve as obras concluídas e colocou em operação comercial suas últimas turbinas, de um total de 50 unidades.
Em entrevista à Brasil Energia, o presidente da Mitsui Gás e Energia, Hiroki Toko, disse que o Gás para Crescer é uma iniciativa que será encorajadora para a expansão do mercado, ainda que diante de desafios a serem superados, como o transporte por parte dos novos supridores e avalia que a aquisição de fatia da Gaspetro reposiciona a empresa num outro patamar no mercado de gás natural. “A aquisição de 49% das ações da Gaspetro no último ano foi um ótimo resultado desse direcionamento estratégico”, disse o executivo. Confira os principais trechos da entrevista.
Quais são os principais desafios do setor de distribuição de gás? Há algo que deva ser tratado como uma prioridade do governo?
Além dos desafios para a venda de gás, em grande parte trazidos pelo atual momento econômico, definitivamente contamos ainda com alguns outros para a aquisição de gás. Como o setor depende da Petrobras como única fonte de suprimento de gás há muitos anos, havendo mudanças nessa situação, o setor será instado a desenvolver novas habilidades. Percebendo a importância do gás natural para o Brasil, recentemente o governo federal anunciou o lançamento da iniciativa “Gás Para Crescer”, que acreditamos será encorajadora ao setor para seguir com sua expansão.
No decorrer da mudança na dinâmica do mercado, deve haver uma adequada estrutura regulatória (e comercial), sendo tomadas as medidas necessárias para diligentemente assegurar que isso se dê de forma justa e funcional. Vemos algumas barreiras para estabelecer o novo regime, particularmente para que os novos supridores de gás possam trazer ou transportar gás no país. Estamos levando nossas expectativas e desafios ao conhecimento do governo federal, por meio da Abegás, entidade que representa o setor, ou até mesmo de forma direta.
Qual é a atratividade do mercado brasileiro de distribuição de gás para a Mitsui e para a Mitsui Gás no atual contexto da economia brasileira?
O gás natural é um recurso energético de extrema importância, o que se torna mais evidente globalmente quando considerada sua abundância e o fato de ser uma fonte de energia limpa, comparativamente falando. Assim, esperamos que apesar da recente queda na demanda, a energia do gás natural no Brasil continue não só essencial, mas rapidamente retome a tendência de crescimento juntamente com o ciclo econômico.
Qual foi o principal atrativo que levou à aquisição de 49% das ações da Gaspetro?
Dentre muitas outras motivações, algumas têm especial relevância pelas características da Gaspetro e pelas perspectivas próprias da Mitsui. A Gaspetro detém participação acionária em 19 distribuidoras, uma grande e diversificada presença geográfica. Seria uma oportunidade única para ter o dinamismo da expansão da rede de gasodutos, o alicerce da distribuição de gás natural, nomeadamente do crescimento econômico, nesse nível de variedade de locações. Estaria ainda em sinergia com a ampla gama de atividades de negócios da Mitsui por todo Brasil.
Além disso, a Gaspetro tem sua própria estrutura de participação no negócio da distribuição de gás natural, por um ângulo diferente do tradicionalmente realizado pela Mitsui Gás – financeiro e administrativo. Como consideramos que a duas diferentes gamas de aptidões podem ser melhoradas e desenvolvidas quando mutuamente estimuladas, nossa participação eventualmente vai nos direcionar a agregar valor às companhias de modo mais efetivo por meio da Gaspetro e da própria Mitsui.
Se fosse ofertado, a Mitsui teria se interessado pelo controle majoritário da Gaspetro?
No que diz respeito à participação minoritária de 49%, estamos confortáveis com essa posição para manter o status quo, em termos de gerenciamento das operações das distribuidoras, pelo respeito que temos pela existente parceria com as outras acionistas dessas empresas.
A Petrobras já declarou publicamente que está mudando sua posição no setor de gás natural. Como a Mitsui Gás responderá a este movimento?
Acreditamos que esse movimento começou com a própria venda, pela Petrobras, de 49% de sua participação na Gaspetro. Respondemos a isso e tivemos sucesso na aquisição. A Petrobras permanece na Gaspetro, como majoritária. Estamos trabalhando em conjunto com a Petrobras para que esta joint-venture seja bem-sucedida.
No segmento de suprimento ou transporte de gás, a Petrobras também deverá reduzir sua presença, o que significa que uma nova dinâmica poderá surgir no futuro. De modo geral, com a devida regulamentação comercial e regulatória, seria positivo que as distribuidoras tivessem opções de fontes para a aquisição de gás. Enquanto elas se adequam a esta potencial mudança na dinâmica da aquisição de gás, nós fornecemos o apoio necessário para conduzir as mudanças a um resultado positivo.
A Mitsui Gás tem a intenção de adquirir novas ações em distribuidoras em que já detém participação?
Nós valorizamos parcerias. Ninguém possui sozinho as melhores habilidades necessárias para a gestão. Pela nossa experiência de 10 anos de relação com os demais acionistas, em especial os governos estaduais e a Petrobras, podemos afirmar que a atual parceria é complementar e se adapta bem ao modelo de negócio, que ainda se encontra em evolução.
Considerando o fato de que a expansão das redes de distribuição de gás é tão relevante ao crescimento econômico de cada estado, não vislumbramos muitos cenários onde eles estivessem dispostos a vender as suas ações. No entanto, se este fosse o caso, iríamos avaliar modelos alternativos que pudessem ser implementados, e se estes seriam adequados para atingir a missão da distribuidora, bem como a nossa própria.
E sobre novas aquisições em áreas relacionadas ao gás natural, em especial com relação a ativos vendidos pela Petrobras?
Dependendo dos ativos, a Mitsui ou a Mitsui Gás poderia avaliar. Entre muitos outros aspectos, é importante avaliar o impacto estratégico, mais especificamente o impacto que a oportunidade traria para a sinergia dos negócios da Mitsui e da Mitsui Gás, as quais, como mencionado, possuem visão de longo prazo e buscam o crescimento sustentável.

Quais são as suas perspectivas de mercado e ambições com relação ao futuro da Mitsui Gás?
Acreditando na importância do gás natural para o crescimento sustentável do Brasil, continuamos a contribuir para a evolução dos negócios da distribuição. A profunda recessão dos últimos anos e a iminente mudança na posição da Petrobras trazem algumas incertezas para o negócio e podem exigir ajustes no setor. No entanto, no longo prazo, essa importância prevalecerá e impulsionará o potencial de crescimento intrínseco ao mercado.
Com o nosso conhecimento e experiência acumulados ao longo de 10 anos, e com os valores inerentes à Mitsui, nos comunicamos com os nossos parceiros e com as distribuidoras, criando assim oportunidade não só de levar nossos valores, mas ainda de aprender mais a fim de juntos atingirmos novos patamares. Acreditamos que uma plataforma profissional de negócios, como nos consideramos, pode melhor servir o mercado de distribuição de gás no Brasil e até mesmo além.

Fonte: Brasil Energia Online

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

GNV fica ainda mais competitivo que gasolina e etanol

No Rio de Janeiro o quilômetro rodado com o gás natural veicular chega a ser 65% mais barato; mensalmente veículos que rodam até 2.500 quilômetros alcançam economia de R$ 744.
Estudo realizado pela Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) aponta que o Gás Natural Veicular (GNV) segue com elevado índice de competitividade em relação aos combustíveis líquidos nos preços observados nos postos, mesmo após a redução do custo da gasolina nas refinarias. Dos 16 estados que compõem o levantamento feito na quarta semana de novembro, 14 registraram economia igual ou maior que 51% em relação ao etanol.
O Rio de Janeiro é a unidade da federação em que o GNV tem mais competitividade, com 65% em relação ao etanol, e 57% em relação à gasolina. Neste estado o preço por quilômetro rodado com GNV é de apenas R$ 0,16, valor mais baixo registrado no país, enquanto com o etanol é de R$ 0,45, e com a gasolina, de R$ 0,37.
Em seguida estão os estados de Santa Catarina (63% frente o etanol e 52% frente a gasolina), do Espírito Santo (61% ante o etanol e 51% ante a gasolina) e de Pernambuco (60% frente etanol e 54% frente a gasolina). No estado de São Paulo, a variação de competitividade ficou entre 54% ante o etanol e 50% ante a gasolina.

O Sudeste é a região do País em que o GN, em média, apresenta a melhor relação de competitividade — o preço médio do GNV gira em torno de R$ 0,16, enquanto o da gasolina é de R$ 0,34 e o etanol, R$ 0,37. No Centro-Oeste foi registrado o menor índice de economia – no Mato Grosso, os motoristas no estado têm 43% de economia em relação ao etanol e 41% em relação a gasolina.
A metodologia da Abegás, que realiza o estudo desde outubro de 2015, calcula a relação do custo por quilômetro rodado a partir do consumo médio de cada combustível com base nos preços médios apurados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Bicombustíveis (ANP), na quarta semana de novembro,
“O levantamento mostra que, o GNV segue como uma ótima opção e continuará assim, principalmente com o recente anúncio de um novo reajuste da gasolina nas refinarias”, afirma Augusto Salomon, presidente executivo da Abegás.
“Acreditamos que o GNV é uma alternativa estratégica, inclusive em centros urbanos. Nossa proposta é estimular a adoção do GNV em transporte público municipal, com vantagens econômicas e ambientais – o gás natural emite muito menos poluentes e material particulado na comparação com o diesel”, completa Salomon.

Metodologia do estudo
Para calcular as porcentagens de economia do GNV em relação a cada combustível, o estudo da Abegás utiliza dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A apuração levou em conta a média de preços apurados em cada estado no mês de novembro deste ano.
Como referência para estimar a performance com cada combustível, a Abegás utiliza o Fiat Siena, veículo que traz em seu manual de fábrica o consumo médio com os três combustíveis. Com um metro cúbico de GNV é possível percorrer em média 13,2 km enquanto com um litro de gasolina o carro anda 10,7 km e com um litro de etanol, apenas 7,5 km.
A estimativa de economia mensal é medida com base em veículos que rodem 2.500 km por mês, usando o GNV em substituição à gasolina e ao etanol.
Fonte: Comunicação ABEGÁS

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Bolívia: Governo adia para janeiro negociação com o Brasil para a venda de gás

O ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Luis Alberto Sánchez, informou que em meados de janeiro de 2017 negociará a venda de gás com autoridades do Brasil, executivos de Petróleo Brasileiro S.A (Petrobras) y empresas privadas. “Tudo aponta que o Brasil vai querer o mesmo volume que seja por Petrobras ou outras empresas privadas e a oportunidade que nós temos é vender a melhores preços”, afirmou.
Sánchez adicionou que o seu gabinete trabalha com a oferta e demanda de gás natural ante o interesse do Brasil de explorar as áreas San Telmo e Astillero em Tarija de forma conjunta com a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB). “Hoje se há aberto o mercado do Brasil e Petrobras comprará o 50%, o 70% o el 100%. Ellos estão trabalhando na norma e qualquer uma é uma oportunidade para a Bolívia”, insistiu. Brasil é um dos sócios comerciais da Bolivia e junto com Argentina se constituem no mercado principal para as exportações de gás.

Nos últimos meses Palácio de Planalto se concentrou em um processo de ajustes normativos que prevê a abertura do mercado gasífero a empresas privadas, o que dará menor participação para a Petrobrás, mas mais abertura ao mercado.
Nessa linha, YPFB e Empresa Produtora de Energia Elétrica (EPE) do Brasil assinaram nessa terça, na Cidade de La Paz, um contrato de exportação de gás natural para a termelétrica de Cuiabá, cuja compra gerará até 2019 uma receita para o país de US$ 556 milhões.

Fonte: Gesel / La Razón – Bolívia