sexta-feira, 27 de abril de 2012

A idade do ouro do gás natural


Por Ricardo Pinto* 

A Agência Internacional de Energia tem mostrado que estamos no início da idade de ouro do gás natural. O aumento da produção mundial, graças principalmente à exploração de reservas não convencionais, como o gás de xisto, e o menor potencial poluidor do insumo entre as fontes fósseis de energia lhe garantem essa importância em tempos de mudanças climáticas. O fato de se tratar de um combustível estratégico para a indústria, pois pode ser usado com altíssimos níveis de eficiência e competitividade, completa esse cenário do gás natural como protagonista energético deste século. 

O aumento da participação do combustível na matriz energética também se verifica no Brasil. Por aqui, junto com a ampliação das reservas, a regulamentação da Lei 11.909/2009, a Lei do Gás, abre espaço para um uso mais intenso do energético em todas as regiões do País. Um exemplo do seu potencial indutor de consumo é a criação das figuras do consumidor livre, autoimportador e autoprodutor. 

Os próximos passos cabem aos estados que, mesmo que não possuam áreas produtoras relevantes, têm de estabelecer os próprios marcos regulatórios para que os avanços da lei federal se concretizem entre os consumidores (uma vez que a Constituição brasileira estabelece que o segmento de distribuição é de responsabilidade dos estados). E o Rio Grande do Sul vive justamente esse momento – de grandes oportunidades – uma vez que a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs) tem se mostrado atenta à necessidade de definição de regras para criar um mercado local competitivo. Somados com a perspectiva de instalação de um terminal de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) na região, esses avanços indicam que o Estado não só poderá contar com volumes expressivos do combustível nos próximos anos, como terá condições regulatórias para disponibilizá-los aos consumidores em condições competitivas. 


A garantia de condições regulatórias que permitam a oferta competitiva do insumo é o principal caminho para o Rio Grande do Sul trilhar a sua própria era do ouro do gás natural. 

*Ricardo Pinto é Coordenador de Energia Térmica da Associação Brasileira de Grandes 
Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres 

Fonte: Jornal do Comércio 

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